Depoimentos
Creio que o mais importante no controle do diabetes é a motivação - conheçam minha Planilha de Acompanhamento Glicêmico
Sou engenheiro químico, com 25 anos de trabalho em informática. Fiquei diabético aos 51 anos, hoje estou com 63.
Descobri a doença devido à uma dor que sentia ao respirar, mais tarde diagnosticada como uma pneumonia. No processo do diagnóstico, fiz um exame de sangue que revelou uma taxa de mais de 400 mg/dl. Na época, estava próximo de um aniversário da minha filha e eu estava fazendo um telhado para a área da churrasqueira, na minha casa, visando o churrasco para ela e trabalhava várias horas por dia no processo. Havia emagrecido muito, cerca de 14 Kg, mas creditava o fato ao trabalho realmente pesado, lidando com grandes toras de maçaranduba para a construção. Para tentar engordar, comia, literalmente, potes inteiros de sorvete, sem resultado.
Após o resultado do primeiro exame, fui direcionado a fazer um segundo, que confirmou alto resultado, caracterizando o diabetes. Meu pneumologista me indicou um endocrinologista, com consulta arranjada para o mesmo dia. Após exame físico inicial, ele me mandou para uma farmácia nas redondezas, centro de Niterói, para um atendente que já me esperava com uma injeção de insulina. Na época eu não sabia nomes de nada. Mas esse atendente, diabético, me deu informações de ordem prática sobre como medir a glicemia, como aplicar a injeção, como transportar a insulina comigo, etc.
Sai de lá atônito. Tinha no bolso um glicosímetro, tiras de teste, caneta para aplicar insulina de ação rápida. Sabia que tinha uma doença incurável. Ponto.
Estava já aposentado da empresa multi-nacional onde havia trabalhado. Passei dias na Internet (doze anos atrás, o acesso era discado, em baixíssima velocidade) procurando informações.
O médico que me atendeu inicialmente revelou-se não tão interessado quanto eu precisava e fui em busca de outros. Passei por pessoas que tinham mais interesse em endocrinologia estética, fiquei horas em consultórios cheios de moças gordas, até que minha esposa (à época) descobriu o Dr. Rogério de Oliveira. Médico e diabético desde a infância, foi ele que me mostrou o caminho certo.
Eu tive um colega de faculdade (1964 a 1969) que era diabético. Pessoa magrinha, alta, muito pálida, sempre com problemas de controle, balas nos bolsos. Era um dos melhores da turma e estudavamos juntos, fazendo parte de um grupo de 4. Ele era o meu "padrão físico" de um diabético.
Na minha primeira consulta com Dr. Rogério ele chegou - como sempre - atrasado e veio de motocicleta. Surpresa. De moto ? Cadê o cara magrinho e pálido ? Mais velho do que eu, mas muito bem disposto. A partir dai, nas várias consultas que tivemos (discutíamos até bolsa de valores), entendi que ser diabético é um problema, mas pode-se viver bem. Ele era diabético há mais de 50 anos, sem problemas.
Comprei um dos livros dele e comecei a entender que a ignorância e a generalização podem ser os maiores problemas para o diabético. Generalização, no sentido: TODO diabético tem problemas nos pés. Sim, todos os que NÃO tiverem um bom controle. Quem se controla, não tem.
Li muito, pesquisei dados, formas de controle, métodos para registro de glicemias, tentativas de definição de tendências, etc. Não achei nada que fosse simples ou fácil. Haviam até vários programas sendo vendidos na Internet, nenhum que valesse os valores pedidos.
Com meu background de informática, resolvi trabalhar para ter meus registros. Fui evoluindo ao longo dos anos, desenvolvendo idéias, adaptando sugestões, tentando novas possibilidades. Após uma estabilizaçao do registro glicêmico, cheguei na contagem de carboidratos e desenvolvi também essa área com ajuda do meu endocrinologista.
Distribui a planilha para grande número de pessoas. Desde 2005, creio que perto de 1.000. Uns continuam usando, outros desistiram. Controlar dá trabalho. Mas os resultados do controle compensam.
Quando apresentei meus resultados em forma gráfica para meu atual endocrinologista, Dr. Paulo Travassos Neto, ele ficou maravilhado. Eventualmente não tanto pelos números, mas pela forma de apresentação. Creio que isso pode motivar, não só o paciente, mas também o médico, no controle da doença.
Portanto, creio que o mais importante no controle do diabetes é a motivação. E essa planilha é resultado da minha motivação para controlar essa doença silenciosa e indolor.
DIABETICOS TOOLBAR: Entrei para a rede social orkut, em comunidades de diabéticos. Pela troca de idéias, cheguei a conclusão que descobrir onde estão os melhores preços dos insumos é sempre um problema. Fiz pesquisas e listei vários locais para comparar preços. Para compartilhar essas descobertas, bem como endereçoos de websites relacionados e algumas pequenas ferramentas, criei a Diabeticos Toolbar, um plug-in para I.Explorer e Firefox.
Cumpre notar que a PAG - Planilha de Acompanhamento Glicêmico - é um trabalho em andamento (work in progress). Estou sempre aceitando críticas e implementando pequenas melhorias quando vejo necessidade.
CONTANDO CARBOIDRATOS: Além da área de registro glicêmico, há uma extensa área de Contagem de Carboidratos. A tabela tem mais de 1.100 alimentos. Pode-se selecionar os componentes da refeição ou snack e obter a quantidade de unidades de insulina de ação rápida a ser injetada para queimar o aumento de glicemia resultante. Há também várias informações correlatas.
Sempre sugiro que os resultados da planilha sejam discutidos com o médico responsável, para validação.
Para obter a planilha:
Para um sumário sobre a Diabeticos Toolbar e download: http://diabeticos.110mb.com/toolbar
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-- Carlos Magalhães --





