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Avanços Científicos e Tecnológicos Iniciam uma Era Promissora para os Diabéticos

Novos tempos

Data de publicação: 15/09/2006
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Thaís Coimbra

Desde o seu descobrimento, no final do século XIX, o Diabetes tornou-se alvo de estudos científicos. Muito já foi feito para se melhorar a qualidade de vida dos portadores da doença. No entanto, as evoluções tecnológicas e cientificas prometem fazer do século XXI, um marco para os diabéticos.

Medicamentos mais modernos e eficientes estão chegando ao mercado consumidor. Tratamentos inovadores têm sido desenvolvidos pelos profissionais brasileiros que procuram um caminho para a cura definitiva dessa doença. A esperança, que as novidades têm trazido, promete bons frutos. Como diz a canção de Gilberto Gil, “a fé não costuma ‘faiá”.

Tempo de Inovação

Ao longo dos últimos anos, foram desenvolvidas pesquisas para a criação de produtos mais sensíveis e eficazes, capazes de proporcionar maior conforto aos usuários.

De acordo com o especialista em endocrinologia Dr. Rodrigo Nunes Lamounier, não existe dúvida de que o mercado para o tratamento do Diabetes evoluiu muito, principalmente no que se refere às insulinas. “Nesta última década foram lançados os análogos de insulina que permitem mais segurança no tratamento, minimizando os riscos de hipoglicemia” afirma o médico.

Cuidados na aplicação da insulina

  • A insulina pode ser aplicada na face anterior e lateral da coxa, no abdômen, nas nádegas e na face posterior dos braços;
  • É importante revezar os locais de aplicação para se evitar reações inflamatórias;
  • Lave as mãos antes de iniciar o processo;
  • Limpe o local com água e sabão antes de aplicação;
  • Evite esfregar a região após a administração da insulina, basta pressionar delicadamente.

Fonte: www.diabete.com.br

As insulinas análogas, também chamadas de especiais, podem ser de ação ultra-rápida (Lispro e Aspart) e de ação prolongada ou basal (Glargina e Detemir). De acordo com o Dr. Marcos Tambascia, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), as primeiras (análogas ultra-rápidas), iniciam a ação em 15 a 30 minutos, tem um pico de 1 hora e duração máxima de 3 horas. Já as segundas (análogas de ação prolongada) não apresentam pico de ação e agem por até 22 horas. Para o médico é difícil dizer qual desses tipos é mais eficaz, pois eles são indicados de acordo com as características de cada paciente e em geral são usados de forma combinada.

O tratamento com insulinas, embora eficiente para o controle do Diabetes, costuma assustar devido à necessidade de injeções para a aplicação. As picadas diárias são, muitas vezes, uma barreira para a aceitação da doença. Na busca por meios de se resolver esse problema, foi desenvolvida a insulina inalável, que deve chegar ao mercado brasileiro no segundo semestre desse ano. O produto, chamado Exubera, poderá ser usado no controle do Diabetes Tipo 1 e 2. Mariana de Carvalho Moreira, 25, estudante de Medicina da Fundação Lusíada, Santos (SP), e portadora de Diabetes Tipo 1 há 19 anos, acredita que a insulina inalável é um grande avanço do mercado de medicamentos pois, por não ser injetável, favorecerá a adesão dos diabéticos.

As inovações no tratamento de Diabetes não se restringem às insulinas; em relação às drogas orais, temos no mercado novos produtos: sulfoniluréias, que estimulam a secreção de insulina pelo pâncreas; glinidas, comprimidos pra serem ingeridos junto das refeições, os quais aumentam a quantidade de insulina necessária para a metabolização da glicose dos alimentos consumidos; e glitazonas, que melhoram a ação insulínica nos orgãos-alvo.

Além dos avanços no ramo farmacêutico, novas tecnologias surgem para melhorar a qualidade de vida dos diabéticos. Aparelhos mais modernos e fáceis de usar na auto-monitoração facilitam o controle da doença pelo próprio paciente. Um desses equipamentos é o CGMS, aparelho de monitoragem glicêmica contínua, útil para pacientes com glicemias muito oscilantes e de difícil controle. As bombas de infusão de insulina são outra inovação promissora, podendo ser utilizadas pelos portadores de Diabetes Tipo 1.

Novos medicamentos orais

O Dr. Augusto Pimazoni explica como as novas drogas orais atuam no controle do Diabetes.

Sulfonilurérias

Eficazes sempre que ainda houver uma resposta adequada das células beta do pâncreas em termos de sua capacidade de produzirem insulina. Elas atuam reduzindo a glicemia de jejum e a glicemia média total de 24 horas, com redução mais modesta dos níveis de hiperglicemia pós-refeições. Fisiologicamente, seu efeito principal é reduzir a produção hepática de glicose que ocorre durante a noite, através da estimulação da secreção da insulina endógena.

Glinidas

Têm pico de efeito terapêutico de 1 a 3 horas e sua duração máxima de ação varia de 2 a 6 horas. Embora estruturalmente diferentes das sulfoniluréias, elas também atuam diretamente sobre as células beta do pâncreas, promovendo a liberação de insulina endógena. São absorvidas logo após a administração oral e rapidamente metabolizadas pelo fígado. Esse curto tempo de ação faz com que o uso das glinidas seja necessário apenas antes das refeições, uma vez que seu objetivo principal é o controle adequado da hiperglicemia após a ingestão de alimentos.

Glitazonas

Constituem-se numa nova família de fármacos insulino-sensibilizadores introduzidos nos últimos anos para o tratamento do Diabetes Tipo 2. Ao reduzir a resistência insulínica, as glitazonas melhoram o perfil lipídico dos pacientes e reduzem o risco cardiovascular. Também atuam na redução de triglicérides, e aumentam o bom colesterol (colesterol HDL). Além disso, possuem uma leve ação hipotensora.