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A Doença Arterial Obstrutiva dos Membros Inferiores no Diabetes

Data de publicação: 13/05/2008
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Bettina Schmidt
A Doença Arterial Obstrutiva dos Membros Inferiores no Diabetes

Introdução

Não é novidade que o diabetes tipo 2 tem aumentado de forma epidémica, prevendo que essa tendência ainda tenda a agravar ao longo das próximas décadas. A doença cardiovascular (arteriosclerose) é a complicação mais frequente do diabetes e é associada a uma maior taxa de mortalidade.

É importante levar em conta que se trata de uma doença sistémica. O doente com DVP (doença vascular periférica) apresenta geralmente patologia concomitante ao nível cardíaco, cerebral ou renal, muitas vezes sem expressão clínica e que precisa de ser investigada. Os pacientes com DVP, além do risco de poder sofrer uma amputação, têm grande probabilidade de sofrer de enfarte do miocardio, AVC ou até de morte súbita.

Com o aumento da incidência do diabetes e da esperança de vida da população, havendo cada vez maior número de pacientes idosos, o número de complicações associada à doença cardiovascular vai subir de forma muito significativa.

Assim temos que estar preparados para enfrentar estes novos desafios.

Torna-se, por isso, importante desenvolver estratégias e protocolos específicos que se baseiam nos seguintes pontos:

  • O diagnóstico precoce (desenvolvimento de programas de rastreio do diabetes);
  • Controle rigoroso dos fatores de risco;
  • Abordagem multidisciplinar no tratamento.

Quadro: Fatores de risco de DVP

  • Diabetes;
  • Tabagismo;
  • Dislipidemia;
  • Hipertensão arterial;
  • Sedentarismo;
  • Obesidade.

Clínica

A doença vascular periférica (DVP) caracteriza-se por uma obstrução progressiva das artérias, neste caso dos membros inferiores, por placas de arteroesclerose, fazendo com que menos sangue e por isso menos oxigénio, chegue aos tecidos. Pode não haver sintomas em repouso mas quando houver maior necessidade de oxigénio com por exemplo durante o esforço ou quando há infecção, a falta de “circulação” começa a causar dor.

Assim é muito típico haver dor ao nível dos membros inferiores que aparece após o esforço, como por exemplo andar à pé durante alguns metros, obrigando o paciente a parar, o que vai causar alívio da dor passada a pouco tempo. É a chamada claudicação intermitente. É importante que os pacientes comecem a ter a noção da distância que conseguem andar, porque é importante para o médico para tomar uma decisão terapêutica.

Localização da dor

  • Panturrilhas (mais frequente);
  • Coxas e região glútea (pode não ser intermitente e ser confundida com problemas osteoarticulares);
  • Plantar.

Exame clínico

  • Pele mais fina e brilhante;
  • Alterações tróficas (escassez de pelos e unhas quebradiças);
  • Diminuição dos pulsos (pediosos, tibiais posteriores etc.);
  • Úlceras de difícil cicatrização (zonas de maior pressão: ponta dos dedos, dorso do pé, calcanhar).

Numa fase avançada da doença começa haver dor mesmo em repouso que é extremamente incapacitante e difícil de tratar. Esta dor só alivia com os pés para baixo e frequentemente os pacientes começam a dormir sentados na cadeira para obter algum alívio. Pode ser difícil distinguir esta dor da dor de causa neuropática que também aumenta durante a noite e com o calor da cama, mas é mais tipo queimadura e associada a falta de sensibilidade e adormecimento dos pés.

Começa também a aparecer uma coloração avermelhada/arroxeada dos pés (eritrocianose).

Numa fase final há cianose, pele muito fria e gangrena dos tecidos.