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Dr. Luiz Estevan: O que é Nefropatia Diabética?

Entrevista com o Dr. Luiz Estevan Ianhez - Médico Nefrologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Dr. Luiz Estevan (SP) é membro do Conselho Científico do site Portal Diabetes e esta entrevista foi gentilmente concedida a Miriam Kunis, Gerente de Conteúdo do site.

Médico Nefrologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Chefe do Setor Clínico da Unidade de Transplante Renal da Divisão de Clínica Urológica do HC/FMUSP
Data de publicação: 13/04/2010
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Entrevista: Dr. Luiz Estevan - CRM: 11.557
Miriam Kunis: O que é Nefropatia Diabética?

Dr. Luiz Estevan: Nefropatia Diabética é uma doença renal decorrente do Diabetes mellitus que ocorre a longo prazo.

Miriam Kunis: Existe como prever se um paciente diabético tem mais propensão a desenvolver nefropatia diabética ou não?

Dr. Luiz Estevan: Podemos dizer que cerca de um terço dos indivíduos com diabetes tipo 1, juvenil ou insulino-dependentes vão desenvolver nefropatia diabética a longo prazo. Esse risco é um pouco menor no diabetes tipo 2, do adulto, mas como existem muito mais casos de diabetes tipo 2, o número de indivíduos com insuficiência renal decorrentes da nefropatia diabética torna-se igual em ambos os tipos.

Miriam Kunis: Existem estágios na Nefropatia Diabética ? E quais são os sintomas de cada estágio?

Dr. Luiz Estevan: No início do diabetes, o rim não é acometido. Geralmente o acometimento renal se dá após 10 anos do início da doença, no entanto existem vários fatores que vão indicar se o indivíduo vai ter ou não complicações nos rins, é o que a gente chama de fatores prognósticos da insuficiência renal.

Por exemplo, um diabético bem controlado tende a ter um acometimento renal mais tardiamente, o diabético tratando bem sua pressão arterial, o distúrbio dos lipides, o colesterol, o nível dos triglicérides, estará protegendo seus rins. Também existem medicamentos, que são usados, que também protegem o rim do diabético, então hoje em dia se indica o uso desses medicamentos numa fase que o rim ainda não está comprometido. Frequentemente, um modo de avaliar o comprometimento renal, é verificar se o paciente diabético já apresenta retinopatia, pois ambas as complicações caminham juntas.

Hoje em dia com o uso de novas terapias insulínicas, com o uso de novas drogas, se o paciente for muito bem tratado clinicamente, existem maiores chances de se prevenir a nefropatia diabética.

Miriam Kunis: No inicio da nefropatia diabética, existem sintomas que possam ser percebidos pelo paciente?

Dr. Luiz Estevan: Um dos principais sintomas que pode ser percebido pelo paciente, é quando ele apresenta espuma na urina, conhecida como proteinúria, que indica a presença de proteínas na urina. Outro sinal é a hipertensão arterial (pressão alta), esses costumam serem os sintomas mais frequentes no início da nefropatia diabética.

Miriam Kunis: A não ingestão de sal, desde a manifestação da doença, poderia ser um meio de evitar a complicação renal?

Dr. Luiz Estevan: O sal não desempenha papel importante no gênese da nefropatia diabética, ele faz mal, no entanto para aquele paciente que já possui hipertensão arterial associada a nefropatia diabética, então ele se torna algo muito ruim.

Miriam Kunis: Existe algum alimento ou remédio que deve ser evitado por quem possui nefropatia diabética?

Dr. Luiz Estevan: O paciente que já tem nefropatia diabética instalada, em relação a dieta , deve consumir pouca proteínas de origem animal, como carnes, peixes, ovos, leite e derivados. Quem já possui nefropatia diabética, também deve evitar o consumo de sal, para evitar edemas (inchaço). Existem alguns remédios que prejudicam os rins, são os chamados antiflamatórios, usados de maneira muito comum em dores musculares.

Miriam Kunis: Qual é a importância do controle da pressão arterial no diabetes?

Dr. Luiz Estevan: No portador de diabetes o controle da pressão arterial é muito importante, pois o descontrole prejudica os rins, prejudica a retina e, consequentemente, piora as artérias, acelerando a arteriosclerose, portanto o controle da pressão arterial, torna-se fundamental, o diabético deve procurar manter sua pressão em torno de 120x80.