Você está em: Portal Diabetes > Novidades e Artigos > Entrevistas > Dra. Irina Antunes: Nefropatia Diabética e o Transplante Duplo Pâncreas/Rim

Dra. Irina Antunes: Nefropatia Diabética e o Transplante Duplo Pâncreas/Rim

Entrevista exclusiva com Dra. Irina Antunes ao Portal Diabetes falando sobre uma complicação que acomete grande parte dos diabéticos ao longo de vários anos de descontrole: a nefropatia diabética.

Dra. Irina Antunes é doutora em Nefrologia pela Universidade de São Paulo e especialista em transplante duplo pâncreas-rim, possuindo, também, sólida experiência em acometimento renal do LES (Lupus Eritematoso Sistêmico).

Rua Teixeira da Silva, 34 - Cj. 63 - Paraíso - São Paulo/SP
(11) 3283-1218
isonomia_ia@hotmail.com / i.ant@uol.com.br
Data de publicação: 30/08/2006
-
Entrevista: Dra. Irina Antunes - CRM: 75.350
Portal Diabetes: O que é nefropatia diabética?

Dra. Irina: A nefropatia diabética é uma complicação frequente do diabetes. Depois de 15 a 20 anos do acometimento do diabetes e com o mau controle das glicemias (alguns até com o diabetes controlado, mas é mais comum nos mal controlados), o rim é acometido pela nefropatia diabética, porque existe uma glicosilação de algumas proteínas que estão dentro do rim e isto faz com que o rim comece, inicialmente, a filtrar de uma forma acelerada. Com a progressão deste quadro, ele começa a perder proteínas na urina. Se isso não for tratado ocorre a piora da função renal, com perda de proteína na urina e, às vezes, o paciente fica hipertenso, também.

Portal Diabetes: A Nefropatia diabética se apresenta em estágios?

Dra. Irina: Sim, como citado acima, nesses estágios iniciais o paciente faz os exames de clearence de creatinina e, às vezes, o resultado é considerado acima do normal. Isto mostra que o paciente já começa a ter hiperfiltração. Ao longo do tempo ele começa a ter microalbuminúria, depois apresenta proteinúria na Urina I e depois passa a ter proteinúria, provavelmente nefrótica, que é caracterizada por uma perda de proteína acima de 3 gramas por dia na urina. Portanto, as fases são: hiperfiltração, microalbuminúria, depois a proteinúria não nefrótica que progride para a proteinúria nefrótica.

Portal Diabetes: Então, o exame da microalbuminúria demonstra que um portador de diabetes vai desenvolver nefropatia diabética?

Dra. Irina: Sim, é o que chamamos de nefropatia diabética incipiente, pois ainda está começando, e ainda temos uma forma de intervir nesta situação, sendo com a melhora do controle glicêmico, controle da hipertensão, dislipidemia, evitar o tabagismo, entre outras.

Portal Diabetes: Após quanto tempo de diabetes já se pode iniciar este tipo de pesquisa de microalbuminúria?

Dra. Irina: Na teoria, a partir dos 15 anos de diabetes os pacientes já começam a ter comprometimento renal. Porém, os pacientes que são muito mal controlados, são hipertensos, esses podem ter acometimento até mais precoce. Portanto, eu acho que é interessante a realização, por exemplo, de exame de urina para detectar microalbuminúria e medir a pressão, que são exames simples, sem tanto custo, mas que podem ser feitos sempre para rastrear este tipo de problema.

Portal Diabetes: Se um paciente diabético já possui como complicação a retinopatia, ele deve pesquisar se tem nefropatia?

Dra. Irina: Sim, por que nessa situação, 90% dos pacientes que apresentam retinopatia, já possuem alguma nefropatia. Isso reflete um acometimento da microcirculação. Então, se você tem uma retinopatia e tem perda de proteína na urina, essa perda de proteína é comprometimento renal do diabético, não é outra doença renal. Fica, então, uma dica até para o paciente porque a retinopatia tem sintomas mais fáceis de ser identificados pelo próprio paciente do que a nefropatia. Outra coisa que se tem que atentar como sintoma de nefropatia, além de hipertensão, é a perda de proteína na urina onde o paciente, algumas vezes pode notar “urina espumosa”, que representa a perda de proteína na urina.

Portal Diabetes: Se os resultados destes exames estiverem alterados, tomam-se medidas preventivas para evitar o aparecimento ou a progressão da doença?

Dra. Irina: Sim. Existem inúmeras situações em que podemos intervir numa doença renal progressiva, dentre elas a nefropatia diabética. Portanto, é muito importante que o controle do diabetes seja cada vez mais rigoroso a partir do momento em que ocorre a detecção de complicação da função renal, ou microalbuminúria. Em alguns casos podemos usar inibidores de enzima de conversão, ou bloqueador de angiotensina na tentativa de reduzir essa proteinúria. Porém, a partir de uma certa disfunção renal esses remédios já passam a não ter mais caráter benéfico e acabam até prejudicando o rim. Daí, cada vez mais é necessário o acompanhamento por um nefrologista experimentado.